quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Maria, Almah e virgindade


Há um teaser de um filme rolando por aí onde se alega que Maria (venerada pelos meus caros amigos católicos como Nossa Senhora) não teria gerado Jesus Cristo, o Filho de Deus, sendo virgem. Que Jesus teria, sim, sido fruto de uma relação sexual. O argumento se pauta em um suposto erro de tradução do hebraico para o grego.

Eu explico: O nascimento de Jesus, o Cristo, é o cumprimento de profecias que constam no Antigo Testamento. Dentre tais profecias, temos uma, em Isaías 7:14, que afirma que Emanuel, Jesus Cristo, seria dado à luz por uma virgem.

O livro do profeta Isaías foi escrito originalmente em hebraico. Contudo, entre o século III antes de Cristo e o século I antes de Cristo, os textos, que eram originalmente em hebraico, do Antigo Testamento foram traduzidos para o grego koinê. Tal tradução recebeu o nome de Septuaginta.

Pois bem, no texto original de Isaías, onde temos traduzida a palavra "virgem" está a palavra "almah". O teaser não se aprofunda em argumentação, apenas alega haver um erro de tradução. Mas isso ocorre porque alguns "estudiosos" afirmam que "almah" não significa virgem, mas "moça". Alega-se que virgem, em hebraico, é "bethulah". E como na septuaginta a palavra encontrada é "parthenos", que significa virgem, pautados nessas premissas, tais estudiosos argumentam que houve um erro de tradução do hebraico para o grego koinê. E uma vez que os autores do novo testamento usavam majoritariamente a septuaginta, Mateus teria supostamente se baseado nos textos traduzidos com esse suposto erro, e por isso afirma que Maria ainda era virgem quando se achou ter concebido do Espírito Santo.

Ok. Não precisamos ir longe para saber que tal argumento configura claramente o que chamamos de "falácia genética". Muito bem. E o que é uma "falácia genética"? "Falácia genética" é o argumento que visa validar ou invalidar algo com base em sua origem. Talvez você me pergunte: Mas por que isso é uma falácia? Não é uma forma válida de se argumentar? Eu respondo: Não. 

Permita-me dar um exemplo: Suponhamos que eu minta para o meu amigo Paulo Amorim que lá em São Paulo, na Av. Paulista, há uma liquidação de livros do John Stott. Paulo, por ser apaixonado por livros de Teologia, pega o seu carro e vai ao lugar que informei. Vejamos: É possível que Paulo realmente encontre livros do John Stott em liquidação? Sim! É perfeitamente possível.  Talvez não haja grandes chances, mas as chances não seriam nulas. Seria uma grande coincidência, mas seria perfeitamente possível. Portanto, se realmente houvesse um erro de tradução, isso não significaria que Maria não era virgem quando teve o Cristo.

Superado já o argumento, falemos agora do texto, apenas para esclarecimentos: Uma das maiores dificuldades quando se faz exegese bíblica é saber o que cada palavra realmente significava na época em que foi escrita. É um fato indiscutível que "almah" significa "moça", mas será que a simples tradução para "moça" já abarcaria todo o seu significado? Será que os tradutores da Septuaginta, que várias vezes analisaram o texto, erraram? Parece-me que não.

Vejamos o texto no qual alegam haver erro de tradução: "Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.”.

Substituamos agora a palavra virgem por moça, como afirmam que deveria ser: "Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a moça conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel.”.

Repare que o sentido do texto foi prejudicado. Que raio de sinal seria uma moça dando à luz um filho? Moça dando filho à luz é algo que acontece o tempo todo! E na época da escrita do texto não era diferente!

Mas aí talvez você me pergunte: Então por que no texto original está "almah", que supostamente significa moça, e não "bethulah", que significa virgem.

Explico: A tradução de "almah" como moça é algo que não chega nem perto de arranhar o significado de "almah" nas Escrituras. A palavra "almah", embora apareça apenas uma vez no livro de Isaías, aparece mais seis vezes no Antigo Testamento (Gênesis 24:43; Êxodo 2:8; Salmos 68:25; Provérbios 30:19; Cânticos 1:3 e 6:8).

A palavra "almah" em todas as suas sete aparições no Antigo Testamento significa moça, mas em sentido que denota também virgem. É o que se observa claramente em Gênesis 24:43-44 quando se parte do pressuposto de que uma moça não casada, no contexto bíblico veterotestamentário deveria significa "virgem", do contrário esta seria tido como prostituta:

"Eis que estou junto à fonte; faze, pois, que a donzela que sair para tirar água, a quem eu disser: Dá-me, peço-te, de beber um pouco de água do teu cântaro, e ela me responder: Bebe tu, e também tirarei água para os teus camelos; seja a mulher que o Senhor designou para o filho de meu senhor."

Curiosamente, das sete passagens, além da que já consta neste texto, que foi traduzida como virgem, Isaías 7:14, em outras duas também é traduzida como virgem:

"o caminho da águia no ar, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar, e o caminho do homem com uma virgem" (Provérbios 30:19).

"Há sessenta rainhas, oitenta concubinas, e virgens sem número" (Cânticos 6:8).

Conforme eu já deixei claro, "almah" de fato significa moça, donzela, mas há um sentido mais profundo, no qual a virgindade se torna uma implicação necessária. Deste modo, devemos nos perguntar: Como devemos traduzir um texto? Palavra por palavra de modo a perder o sentido ou flexibilizar a tradução a fim de manter o sentido? Sem dúvida alguma devemos optar pela última alternativa!

Portanto, em que pese "almah" signifique moça, argumentar que isso contesta a virgindade de Maria é algo que me parece ignorância. Três motivos: Trata-se de "falácia genética", desconsidera o contexto de Isaías 7:14 e desconsidera a profundidade do significado de "almah" no Antigo Testamento.

Quando vemos algo na TV, nos noticiários, etc., devemos sempre ficar com um pé atrás. Temos sido constantemente alvejados com informações que das duas uma: ou são falsas ou nos induzem ao erro. Desta vez não foi diferente.


terça-feira, 30 de junho de 2015

Sete cordas e um mar de tristeza

   Quando eu ainda morava no Vale do Ribeira, conheci um sujeito chamado Paulo, conhecido como Paulinho Sete cordas. Paulinho já demonstrava certa idade, acredito que tivesse aproximadamente sessenta anos na época e raramente era encontrado sóbrio. Embora o efeito do álcool tornasse difícil estabelecer um diálogo com Paulinho, eu tinha certo prazer em tentar.

   Por trás de um alcoólatra fedorento, havia em Paulinho um sujeito culto, versado em música erudita e com admirável conhecimento quando o assunto era Bíblia. Não é preciso ser um gênio para saber que se Paulinho desde a mocidade fosse um alcoólatra daquele nível, dificilmente teria conquistado aquela bagagem cultural, logo, sua vida um dia já foi diferente. Assim, eu me perguntava: o que houve? O que leva uma pessoa inteligente como aquela chegar àquele nível?

   Desde pequenos somos instruídos e educados para construir algo nesta vida. Toda a moldura moral e a educação formal que nos é imposta nos empurram para a construção de algo nesta vida. Com Paulinho não deve ter sido diferente. Mas no percurso algo aconteceu com Paulinho: quando Paulinho adornava o seu castelo de areia que orgulhosamente havia construído na praia de sua felicidade, as ondas da mágoa, da tristeza, da infidelidade, do sofrimento, da desilusão e da realidade derrubaram seu lindo castelinho. O músico que recebeu por mérito a alcunha de sete cordas, de tão admiravelmente que tocava Mozart em um violão de sete cordas; o Teólogo que conhecia profundamente a vida do Apóstolo Paulo; o poeta que investia seu tempo em descrever o indescritível brilho das estrelas; enfim, o Paulinho, foi rejeitado pela única rosa que admirava em todo o jardim da existência. O resultado de tal desilusão pode ser bem descrito no verso da música Fire and Ice da banda Within Temptation: ...i’m breathing, but why? (eu estou respirando, mas por quê?).

   As desilusões não destruíram Paulinho, as desilusões não destroem ninguém! As desilusões destroem a disposição de sermos nós mesmos. E nesses momentos é preciso mais forças para manter a disposição de ser nós mesmos do que foi preciso para nos tornar que somos. 

    O fim de Paulinho foi triste. Sob o efeito do Álcool foi atropelado e não resistiu. Embora fosse um sujeito brilhante, resolveu esconder seu brilho junto com suas mágoas. Talvez quisesse se esquecer de tudo o que aconteceu, mesmo que isso lhe custasse se esquecer de quem um dia foi. O Álcool não era uma máscara para os demais, era uma máscara para ele mesmo. 

    O que eu me pergunto é: o que eu teria feito no lugar de Paulinho? Ou melhor, o que Paulinho deveria ter feito? Paulinho escolheu se entregar ao sofrimento, mas poderia ter feito algo diverso? Sim, poderia. Ninguém é tão velho, nem tão infeliz, nem tão magoado que não possa recomeçar. O recomeço, para uma pessoa depressiva como eu, que insiste em lutar contra a tendência de se (auto)vilipendiar espiritualmente, é algo bem conhecido, pois temos de recomeçar todos os dias. Para Paulinho, o recomeço talvez lhe fosse um pouco mais estranho, mas nem por isso lhe ocultava a face. O recomeço é a oportunidade que todos nós temos de demonstrar que a despeito todo o sofrimento, ainda há força para enfrentar mais dragões. O recomeço é a oportunidade de dizermos que ainda estamos aqui, e que talvez haja mais troféus nos aguardando, e que não há poesias tão machadas por lágrimas que não possam ser lidas uma vez mais em voz alta. 


quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Um rolezinho no lugar errado




Muito se tem dito a respeito do tal rolezinho. Rolezinho, pra quem não sabe, começou com uma reunião de diversos jovens da periferia, quase seis mil, em um shopping Center na cidade de São Paulo. O objetivo era uma reunião de funkeiros, na verdade. Desde então várias reuniões já ocorreram em diversos shoppings em São Paulo e em outras cidades.
Os lojistas dos shoppings hostilizam tais reuniões. Já houve incidentes envolvendo a policia militar, guardas municipais, já houve shoppings proibindo os tais rolezinhos, enfim, a encrenca já está feita. Para muitos, no entanto, o assunto agora já não pode mais ser dissociado do assunto preconceito social e racial. Para mim, o assunto já não pode mais ser dissociado do assunto hipocrisia.
Comecemos pelo que argumenta a esquerda: Alega, a esquerda, que todo ser humano tem o direito de ir e vir, e que jovens da periferia também têm direito a diversão e entretenimento, e que shopping Center não é exclusividade da classe média e tal. Ainda, que toda forma de tentar restringir o acesso da classe baixa através dos rolezinhos aos shoppings se deve pelo fato de que a maioria é afro-descendente e da classe baixa, portanto fundamenta-se em preconceito. 
Parece-me que a maioria está de acordo com os esquerdistas nos tocantes supracitados. Não é de se esperar menos, afinal há muito tempo universitários têm sido doutrinados pela esquerda (Quem discorda que me apresente alguma faculdade no Brasil que trata do pensamento de Adam Smith ao menos a metade do que trata do pensamento de Karl Marx. Na maioria, Adam Smith nem chega a ser mencionado).
Vamos aos fatos: o que é um shopping Center? Será um lugar para fazermos compras, assistirmos filmes e pesquisarmos preços ou um lugar para fazermos o que bem entendermos? O Shopping Center é privado ou é patrimônio do Estado? A verdade é que os Shoppings não pertencem ao Estado (Ainda, pois pela força do esquerdismo no Brasil, não duvido que a curto prazo o Estado tome tudo para si), portanto aqui não se fala no direito constitucional de ir e vir e não são lugares para qualquer fim que o sujeito desejar. Shoppings existem para consumo, e consumo é feito por quem tem valor monetário para consumir. Não estou tentando defender a idéia de que Shoppings existem apenas para ricos. O ingresso para o Cinema é algo acessível para todos desde o Bolsa Família (risos).
O que acontece é que o tal rolezinho desvirtua o shopping Center! A aglomeração de pessoas naquela proporção, que não busca comprar nada, apenas se aglomerar e tocar o terror, compromete a vigilância (a qual é inversamente proporcional ao número de vigiados) e a segurança. Além de afastar compradores. Afinal, quem gosta de aglomeração? Imagine, por exemplo, se você fosse um lojista, o que passaria pela sua cabeça se cinco mil pessoas ficassem na frente da sua loja e ninguém comprasse nada, impedindo que interessados comprassem também. O que você pensaria? Seria a favor disso? Será que ser contra isso é preconceito racial e/ou social? Ou será que é só uma questão de honestidade consigo mesmo?
Ah! Honestidade não pode ser! Afinal de contas, pra isso, você deveria se colocar como lojista e lojista de shopping faz parte da burguesia. E burguês não tem coração! São sempre monstros violentos que querem apenas explorar o proletariado, não é? É assim mesmo, esquerda?

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Uma breve entrevista com Augustus Nicodemus

Para comemorar a reforma no meu blog, optei por algo especial. Uma entrevista com um dos maiores defensores da doutrina reformada: Augustus Nicodemus. Em primeiro lugar eu gostaria de agradecer a Deus por ter levantado pensadores de coragem que têm se empenhado em manter as doutrinas ortodoxas. 
Em segundo lugar, agradeço a Augustus Nicodemus pela breve entrevista. Augustus Nicodemus é conhecido pela sua posição firme e bíblica. 
Optei por fazer apenas três perguntas, que diretamente tratam de questões que têm sido debatidas no meio evangélico.
Então segue a entrevista.





Eu: Reverendo Nicodemus, a reforma protestante está para completar mais um aniversário. 496 anos. Uma das principais revoltadas de Lutero, se estou certo, corrija-me se eu estiver errado, foi o caso das indulgências, o que feria a doutrina da Salvação pela Graça e Justificação pela Fé. Hoje no meio protestante, ao menos que se diz protestante, temos visto algo semelhante a indulgências. O sistema de barganha voltou. Qual a opinião do senhor referente a isso? Será preciso uma nova reforma?
Reverendo Nicodemus. Infelizmente a igreja evangélica de hoje está minada pela velha heresia da salvação mediante o mérito ou esforço humano, que Paulo combateu na carta aos Gálatas e na carta aos Romanos. Muito embora se diga que a salvação é mediante a fé em Jesus Cristo o que se percebe é o acréscimo de alguma coisa à obra completa de Cristo, como se ela não fosse suficiente para redimir o pecador. Acrescenta-se o dízimo, os sacrifícios, ofertas financeiras, o batismo, a submissão a um apóstolo ou outro líder, a membresia exclusiva em um grupo, e por aí vai. É preciso, sim, uma redescoberta das antigas doutrinas da graça, aquelas mesmas que fizeram a base da Reforma do séc. XVI: sola fide, sola gratia, sola scriptura, solus Christus e soli deo gloria.

Eu: A pressão do "academicismo" tem feito muitos jovens abandonarem a doutrina da inerrância e infalibilidade das Escrituras por causa do evolucionismo, posição dominante da academia. O Mackenzie, enquanto teve o senhor como chanceler, fez vários eventos a fim de mostrar o contraponto ao evolucionismo. Isso, de certa forma revigorou a doutrina da criação ex-nihilo dos seres vivos. Mas agora temos repercutindo o Teste da Fé no meio evangélico, que abre mão da Teoria do Projeto Inteligente e abre espaço para o evolucionismo. O senhor tem alguma posição quanto a isso? 
Reverendo Nicodemus. Aqui precisamos fazer algumas distinções. O termo evolucionista-teísta é geralmente usado para quem acredita que Deus usou a evolução para criar a vida e diversificá-la. Eu ainda não consigo ver como os evo-teístas conseguem conciliar o conceito de um Deus onisciente com o principal pilar da evolução darwinista, que são as mutações ao acaso e sem direção ou rumo, deixando o futuro totalmente aberto. Como um Deus onisciente usaria um mecanismo aleatório e sem rumo para cumprir algum propósito? Acho que o Collins, diretor do projeto Genoma, um evo-teísta, foi coerente quando passou a acreditar que Deus realmente não conhece o futuro, pois somente um Deus ignorante do futuro se adapta ao conceito da imprevisibilidade das mutações benéficas, as quais seriam usadas pela seleção natural. Todavia, existem criacionistas, como eu, que acreditam que Deus criou os seres vivos com capacidade de adaptação ao meio ambiente (micro evolução) e de transmissão das características melhores às gerações seguintes, sem que isto acarrete o surgimento de uma nova espécie (macro evolução). O que não estão dizendo é que a teoria da evolução darwinista vem sendo criticada intensamente inclusive por ateus, como Thomas Nagel, e muitos biólogos evolucionistas, que estão insatisfeitos com os limites da teoria para explicar o surgimento da complexidade irredutível dos organismos vivos. O livro de Stephen Meyer, A Duvida de Darwin, vem ocupando lugar na lista dos mais lidos nos Estados Unidos. Este livro faz uma crítica devastadora ao evolucionismo darwinista, especialmente citando biólogos, físicos e matemáticos ateus que apontam as falhas da teoria.

Eu: Em 2010, quando o senhor ainda era chanceler do Mackenzie, o senhor escreveu uma nota orientando a universidade como um todo a se posicionar contra a PL 122, projeto que criminaliza a homofobia. Houve, na época, um protesto contra o senhor na frente do Mackenzie. Mas agora a militância gayzista, bem representada pelo Deputado Jean Wyllys, nãoo se limita a condenar a posição da Igreja, mas quer ensinar a Igreja a interpretar a própria Bíblia. Jean Wyllys tem, exaustivamente, alegado que a Bíblia condena a homossexualidade apenas no livro de Levítico, e que neste caso se referia a moral de um povo específico. Nós sabemos que em várias outras passagens a Bíblia condena a homossexualidade também, o que refuta Wyllys. A questão é que parecem querer nos ensinar a interpretar um livro que conhecemos melhor do que eles. O senhor acredita que isso pode ser um sinal de que a Igreja aqui no Brasil em breve será perseguida de modo formal? 
Reverendo Nicodemus. Pode ser que a igreja venha a ser perseguida formalmente no Brasil, bem como em outras partes do mundo, onde a supremacia gay tem conseguido passar leis que aos poucos vão tolhendo a liberdade de expressão e a liberdade de religião. Mas, devemos lembrar que a igreja nascente, no séc. I e seguintes, foi tremendamente perseguida e martirizada pelo Império romano, cujos césares (alguns deles), segundo alguns livros de história, eram homossexuais praticantes. Os cristãos sempre foram perseguidos. Atualmente, é a religião mais perseguida do mundo. A mídia lamentavelmente pouco noticia os ataques e mortes de cristãos em países muçulmanos. Quanto à interpretação da Bíblia, o deputado Wyllis obviamente a distorce para defender seus interesses, o que não deixa de ser interessante. Por que ele deseja receber a aprovação da Bíblia?

Novamente, obrigado a Deus e ao Reverendo.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Um pouco de ninguém




Depois de gastar tanto tempo responder questões que ecoam na cabeça do homem- de onde viemos? Para onde iremos? -no espelho ainda encontro um enigma indecifrável: quem sou eu? Lembro-me de que, quando criança, às vezes eu chorava de saudade da minha mãe enquanto eu estava na escola; lembro-me de ter sido um sujeito apaixonado por desenhos; lembro-me de ter sido um guitarrista que sonhava em viver de música; lembro-me de que no primeiro amor da minha conversão ao Cristianismo, eu sonhava em mudar o mundo para Cristo...   E o que restou dos tantos “eu” que já fui? Ainda há fragmento de algum eu aqui? Particularmente, eu ainda sonho em mudar o mundo para Cristo, mas quanto eu caminhei? Nada. Eu sou o filósofo sem filosofia, o Teólogo que vive apenas nas sombras de outros pensadores; o poeta que não domina as palavras; o músico que sabe apenas repetir; o jurista que ainda nem sabe o que é ser jurista. E lá no meu mundo, onde as cores do céu são melancolia, onde o sol é o romance e o vento que sinto é a tragédia, tudo o que eu quero conhecer é o brilho da felicidade e o sabor da satisfação.
Felicidade, felicidade. O que é felicidade? Que gosto ela tem? Acaso poderia encontrá-la no fundo de uma garrafa de vinho? Na carteira vazia após uma noite de perdas em jogos? Todos os meus sonhos não eram apenas escadas para alcançar a felicidade? Uma viagem, um objeto. E nesse vazio existencial, onde ainda nem sei quem sou, minha esperança está apenas naquele que é minha única companhia, o meu Senhor Deus.
Será que só quando eu viver plenamente com Ele pela eternidade poderei olhar no espelho e responder quem eu sou? Afinal, quem eu sou? Eu não sou ninguém.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Duas lésbicas e um culto


Há uma frase atribuída a Spencer que nos serve de norte para muito no âmbito jurídico: “A liberdade de cada um termina onde começa a liberdade do outro”. De certa forma, essa frases, para os mais leigos, parece delimitar a liberdade. Há, principalmente aqui, no Brasil, a noção de que liberdade é algo que não encontra limites. O livre é aquilo que não é limitado por nada. Essa noção de liberdade é mais antiga do que parece foi combatida, inclusive, por Kant. Para Kant, se fazemos tudo o que queremos, tornamo-nos escravos de nosso bel prazer, e, por conseguinte, deixamos de ser livres.
A máxima de Spencer, ao menos sob a ótica do Direito, define bem o que é liberdade. Tal frase parece subentender que a liberdade de alguém está em agir de acordo com os próprios direitos, sem violar o de ninguém. A partir do momento em que elevo minha “liberdade” de modo a violar o direito de alguém, eu tanjo a liberdade do indivíduo e se isso virar moda, nós estaremos perdidos. Além de o sujeito ter cedido às suas tentações, perdendo assim sua liberdade, o sistema jurídico padecerá e mesmo o leviatã de Hobbes não será capaz de evitar a guerra de todos contra todos. Aliás, é por isso que o Leviatã, isto, é o Estado, existe- para colocar cada um em seu lugar, evitando que cada um exceda seus limites e tornando harmônica a vida em sociedade- não é mesmo? 
Sei que sou um jovem que muito tenho a aprender, mas ao que me parece, esta visão de liberdade é bem lúcida. Pois bem! Embora pareça uma postura razoável, o número de pessoas que a rejeitam não é pequeno. E foi rejeitando toda visão teórica de liberdade e direito que duas moças adentraram a um local fechado para culto religioso e, durante o culto, se beijaram. O culto era Cristão e a posição majoritária dos Cristãos, com embasamento Bíblico, vê a relação homo afetiva como pecado. Talvez para elas, parecesse razoável essa atitude, mas em busca de um protesto infantil, protestaram causando prejuízo ao direito dos milhares presentes: o direito ao culto, a liberdade de crença. Os quais são resguardados pela nossa Constituição Federal (Art. 5°, VI, CF).
Como já venho dizendo, o público gay teve uma grande vitória com a possibilidade de casamento gay pelo fato de que desde o Código Civil de 2002, união estável e casamento já não eram mais equiparados. Por isso, para fins civis, eles tiveram grande vitória com a possibilidade de casamento. Mas, uma vez que passou daí, o que mais o público gay deseja? Aceitação? Aceitação não se obtém dessa forma!  Aceitação se cativa, se conquista. Então por que raios um protesto do tipo?
Em primeiro lugar o protesto talvez fosse contra o deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Marco Feliciano. O que as garotas se esqueceram, é que o nobre deputado também tem sua liberdade de crença, e a liberdade de crença e de culto dele é igualmente inviolável aos dos demais.
O que me preocupa, seriamente, é que o movimento gayzista não se contenta com os próprios direitos! Não! Eles querem acabar com o direito que os cristãos têm de crença! Eles querem que o cristianismo, uma vez que é a maior e mais influente religião do mundo, os aceite como aceita casais heterossexuais! E onde fica a liberdade de crença dos cristãos? Eles não querem saber! Eles querem aceitação na força! Sem entender que se abrirmos mão desse ponto, colocaremos todo o resto em dúvida, pois nossa crença se baseia na Bíblia e a Bíblia que condena a homossexualidade. E com isso, teríamos negado nossa crença por completo! Pois toda ela se baseia na Bíblia! Se negarmos parte, colocaremos o restante em ponto crítico!
Chega a parecer que eles não percebem que estão partindo do pressuposto de que nossa religião não é verdadeira ou de que a Bíblia não é a Palavra de Deus. Entendo que eles não acreditam em tais coisas, mas nós sim! E nós queremos continuar a acreditar! E não abriremos mão disso! É direito nosso!
Hoje tive a tristeza de ler uma notícia [1], antiga na verdade, que um casal homossexual está processando uma Igreja para que esta realiza a cerimônia da união. Fico a pensar: será que eles não percebem que a Igreja também tem seus direitos? Eles percebem, mas não ligam! Não dão a mínima!
Por isso, caro leitor, caso você seja um Cristão conservador como eu, convoco a você para não abrir mão de seus ideais! Nas eleições, procuremos votar naqueles que representam nossos valores. Não queremos podar o direito de ninguém, apenas não queremos abrir mão de nosso: de liberdade de crença; de crer que a homossexualidade é pecado; de crer que muitos homossexuais realmente sentem desejos do tipo, mas que tais desejos procedem da carne, a qual é corrompida pela queda, pelo pecado original; e de Cristo Jesus pode salvar a todos, mas que exige que nos arrependamos de nossos pecados e que se um homossexual abrir mão de suas inclinações carnais e seguir a Cristo Jesus, será salvo, pois a boa nova é esta, que Cristo veio ao mundo para salvar pecadores. 

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Aline Franzoi, a ponta de um iceberg de heresia

A capa da revista masculina Playboy deste mês, setembro de 2013, chocou boa parte da comunidade evangélica. Na referida, temos Aline Franzoi, modelo que se diz evangélica. É do conhecimento de todos- penso- que Cristianismo e sensualidade são incompatíveis, tal como parece ser do conhecimento de todos que a revista Playboy é- de todas- a revista masculina mais popular, conhecida por seu teor sensual.
Enquanto para uns a atitude de Aline em posar para uma revista masculina é motivo para lágrimas e demonstra a invasão do império secular na Igreja, para outros é motivo para comemorar- parece que a cada dia que passa mais e mais a “Igreja” tem rompido com os ditames da Ortodoxia. Uma Igreja que permite uma ovelha desnuda na capa de uma revista masculina não está longe de tomar como matrimônio a união de pessoas do mesmo sexo e abrir mão de todos os valores cristãos que hoje são tomados como ultrapassados.
Para o observador afiado, porém, nada é novidade, pois a secularização não invadiu a Igreja agora. Quando pudemos observar cantores Cristãos tomados de vaidade e de ambições capitalistas fazendo o uso de ritmos mundanos para “adorar” a Deus com letras antropocêntricas e não Bíblicas e ficar ricos, tomando o louvor ao Deus Eterno como meio de vida em detrimento do verdadeiro significado de adoração, já deveríamos ter percebido que nossas Igrejas estavam a abrigar corpos estranhos. O púlpito, que é lugar de adoração, com o tempo passou a servir de palco para sermões de auto-ajuda, entretenimento e toda forma mundanismo. Por isso, a capa da revista Playboy desse mês, não é um romper com paradigmas, mas sintomas de um câncer que cresceu dia após dia dentro da Igreja sob nossos olhos e não fizemos nada por simples desleixo.
Mas não devemos nos enganar, a verdade bíblica permanece. Os ensinamentos bíblicos não são juízos normativos universais condicionados a uma época restrita, Paulo não falou daquilo que ele pensava ser o certo ou errado de acordo com aquela época; os ensinamentos bíblicos são juízos normativos universais atemporais. Paulo assevera: Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (conforme Gálatas 5:19-21).
Parece passar longe do razoável qualquer idéia que alegue que fotos nuas em uma revista de sensualidade não induz o sujeito à lascívia, adultério e toda forma de inclinação carnal da área. Mas Aline Franzoi parece pensar diferente, pois, segundo ela: “O ensaio é bem diferente do que o público esta imaginando...    ... O trabalho ficou incrível. Não será nada vulgar”¹
Há de fato um ramo artístico da arte fotográfica que procura captar imagens de pessoas nuas sem teor de sensualidade (o que já seria passível de reprova), mas esta nunca foi a proposta da revista Playboy! A revista Playboy é veículo de pecado! Mas este não foi o primeiro, e parece que não será o último, deslize de Aline Franzoi, a qual Ring Girl do UFC.
Diante de tudo o que está acontecendo no mundo gospel, podemos levantar dois grandes problemas:
1) A relativização da escritura, que implicará, para seus adeptos, na perda de todos os ensinamentos outrora proferidos como caminho seguro para aqueles que amam a Deus.
2) A perda da prioridade do Cristianismo, pois para estes, o Cristianismo parece ser só mais uma religião, sem reflexos práticos no cotidiano- exatamente o que os laicistas desejam.
É sobre esses dois fundamentos que se estabelece toda forma "cristã" de apoio ao movimento LGBT no sentido de descaracterizar a homossexualidade como pecado.
Mas o Cristianismo tem ensinamentos absolutos e atemporais e não devem ser deixados de lado, como fez a modelo em questão. Tampouco deve ser colocado em segundo, porquanto é uma cosmovisão completa que deve refletir em todas as áreas da vida. Por isso convido vocês, amados leitores, a abraçarem, com mais intensidade do que nunca, os ensinamentos Cristãos. Nós, que constituímos o remanescente dos adeptos dos ensinamentos ortodoxos, certamente seremos perseguidos, pois não abraçaremos o evangelho flexível que tem ganhado força ensinando um deus cardiologista, que só liga para o coração. E por falar em deus cardiologista, se você é adepto dessa doutrina, não tem do que reclamar se perder a sua alma, pois um deus que só se importa com o coração, evidentemente deixará a alma de lado. E não se espantem, pois o mercado pornográfico “gospel” está apenas nascendo.
Encerro este post com uma frase de Charles Haddon Spurgeon: Os fariseus tinham vida limpa e coração sujo. Mas não se engane, você não pode ter coração limpo e vida suja.

¹http://noticias.gospelmais.com.br/playboy-fiel-assembleia-deus-aline-franzoi-fotos-nua-60325.html